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Discurso do Embaixador Zhu Qingqiao no “Diálogo do Sul Global: Iniciativa para Governança Global e Novas Perspectivas de Cooperação”
2025-11-08 05:21

No dia 4 de novembro, o Embaixador Zhu Qingqiao fez um discurso durante a mesa-redonda online intitulada “Diálogo do Sul Global: Iniciativa para Governança Global e Novas Perspectivas de Cooperação”, no qual apresentou de forma aprofundada a Iniciativa para Governança Global proposta pelo presidente Xi Jinping. O discurso completo, nas versões em chinês, inglês e português, já foi publicado, respectivamente, nas edições em chinês e inglês da coluna “Mesa-Redonda” do Global Times, bem como no portal de notícias Brasil 247.

Segue abaixo o discurso na íntegra:

I

O mundo atravessa mudanças profundas e aceleradas. Nesse contexto internacional complexo e instável, surgem desafios sem precedentes. Ao mesmo tempo, persistem os déficits da paz, segurança, desenvolvimento e governança. Depois de apresentar as Iniciativas Globais para o Desenvolvimento, Segurança e Civilização, o Presidente Xi Jinping propôs, mais recentemente, a Iniciativa para a Governança Global, expondo os princípios, métodos e caminhos para reformar e melhorar essa questão. A proposta oferece sabedoria e soluções chinesas para a transformação da governança mundial.

A Iniciativa para a Governança Global está em sintonia com as tendências de multipolarização mundial e globalização econômica. Responde aos desejos comuns dos povos por paz, desenvolvimento e cooperação, e enfrenta os principais problemas da desordem e da ineficácia na governança global. Trata-se duma importante inovação teórica e prática que a China oferece para promover a reforma do sistema de governança mundial, ação que recebe amplo reconhecimento e apoio da comunidade internacional.

II

A China e o Brasil são os maiores países em desenvolvimento dos Hemisférios Oriental e Ocidental, membros fundadores do BRICS e importantes nações do Sul Global. Compartilham posições idênticas ou semelhantes na defesa do multilateralismo e na reforma do sistema de governança global. Sob a liderança estratégica dos dois Presidentes, as relações China-Brasil atingiram seu melhor momento histórico, tornando-se um exemplo de solidariedade e autofortalecimento do Sul Global e de cooperação entre grandes países em desenvolvimento.

A nossa confiança estratégica se fortalece. No ano passado, o Presidente Xi Jinping realizou uma visita histórica ao Brasil e anunciou junto com o Presidente Lula, a elevação da parceria bilateral ao patamar de Comunidade de Futuro Compartilhado China-Brasil por um Mundo Mais Justo e um Planeta Mais Sustentável. Desde o início do seu terceiro mandato, o Presidente Lula visitou a China duas vezes. São frequentes, também, os intercâmbios entre governos, poderes legislativos e judiciários, forças armadas, partidos e unidades subnacionais dos dois países.

A nossa cooperação pragmática alcançou um nível qualitativo superior. A Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (COSBAN) opera com fluidez, e estão avançando de forma bem-sucedida as sinergias estratégicas entre a Iniciativa Cinturão e Rota e as estratégias de desenvolvimento do Brasil. O comércio bilateral cresce de forma constante, com uma estrutura cada vez mais otimizada. A China é o maior parceiro comercial do Brasil há vários anos consecutivos. As cooperações tradicionais em energia, agricultura, telecomunicações e infraestrutura se mantêm sólidas, enquanto novas parcerias florescem em economia digital, economia verde, indústria farmacêutica, inteligência artificial, aviação e aeroespacial.

Os nossos intercâmbios culturais e humanos são cada vez mais diversificados. A China concede isenção unilateral de visto de visita a cidadãos brasileiros, e os voos diretos aumentaram, tudo isso favoreceu o fluxo de pessoas entre os dois países. A interação entre universidades e jovens está se aprofundando, realizou-se com sucesso o primeiro Diálogo de Reitores China-Brasil. Neste momento, os dois governos estão trabalhando para celebrar, em 2026, o primeiro Ano da Cultura China-Brasil, evento que fortalecerá o entendimento abrangente e objetivo entre chineses e brasileiros.

A nossa concertação em fóruns multilaterais se intensifica. A China apoia a presidência brasileira do G20 em 2024, do BRICS em 2025 e da COP30. Os dois governos mantêm comunicação sobre temas como a crise na Ucrânia e o conflito entre Israel e Palestina, colaborando em arenas multilaterais e organizações internacionais para defender o multilateralismo. O Presidente Lula participou, na China, da 4ª Reunião Ministerial do Fórum China-CELAC, durante a qual ambos os países promoveram conjuntamente os cinco programas para fomentar a solidariedade, o desenvolvimento, a civilização, a paz e a amizade entre China e América Latina e o Caribe.

III

A reforma da governança global é uma tendência irreversível, mas seu caminho ainda é cheio de desafios. A China está disposta a trabalhar com o Brasil para implementar a Iniciativa para a Governança Global, fortalecer o apoio mútuo e a coordenação, bem como unir a força do Sul Global. Assim, vamos assumir o compromisso e a responsabilidade como grandes nações para promover uma multipolarização mundial mais equitativa e ordenada, e uma globalização econômica mais inclusiva e benéfica para todos, viabilizando a reforma e o aperfeiçoamento do sistema de governança global.

Vamos defender juntos a paz e a segurança internacionais. Diálogo e negociação são essenciais para resolver os conflitos. Para a crise da Ucrânia, é importante seguir o Entendimento Comum de Seis Pontos em busca de uma solução política, além de valorizar o papel do Grupo de Amigos da Paz. Já na questão da Palestina, é essencial promover uma resposta abrangente, justa e duradoura, pautada nas resoluções da ONU e na solução dos dois Estados. Para preservar a paz e a estabilidade, devemos repudiar o uso ou a ameaça de uso da força.

Vamos promover juntos a recuperação e o desenvolvimento do mundo. É imperativo defender o sistema multilateral de comércio baseado em regras e centrado na OMC e combater todas as formas de guerras tarifárias ou comerciais, bem como todos os tipos de barreiras e bloqueios tecnológicos. É essencial proteger os direitos legítimos dos países em desenvolvimento, garantir a estabilidade, a segurança e o fluxo desimpedido das cadeias de produção e de suprimentos, e acelerar a implementação da Agenda 2030 da ONU para o Desenvolvimento Sustentável.

Vamos enfrentar juntos os desafios globais. Sob o princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas, apoiamos a obtenção de resultados substanciais na COP30 ao instar os países desenvolvidos a cumprirem seus compromissos e promover a transição verde. Vamos reforçar a cooperação em áreas como inovação industrial e formação de talentos, assegurar um desenvolvimento justo, sustentável e acessível da inteligência artificial e construir um ciberespaço aberto, seguro, estável, acessível, pacífico e interconectado.

Por fim, vamos adotar ações conjuntas para reformar e aperfeiçoar a governança global. A ordem internacional deve ser centrada na ONU e baseada no direito internacional e nos propósitos e princípios consagrados na Carta das Nações Unidas. No entanto, a própria ONU e seu Conselho de Segurança também precisam passar por reformas para se tornarem mais democráticos, representativos, eficazes e eficientes. Também é importante promover uma reforma do Banco Mundial e do FMI, assim como restaurar a normalidade do mecanismo de solução de controvérsias da OMC.

Muito obrigado a todos!


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